Blanquita: “Eu não posso mentir, mas eles podem estuprar…” | Artes e Cultura

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O elogiado filme de Fernando Guzzoni (Carne de perro, Jesús) é inspirado -de forma livre- no “Caso Spiniak”, aquele que chocou a sociedade chilena e, em particular, o mundo político e empresarial.

Uma polêmica que deixou o poder político em suspenso

O ano de 2003 foi marcado por denúncias contra um empresário e políticos conhecidos por organizarem festas que incluíam drogas e orgias, prostituição infantil e estupro, coprofilia e produção de material pornográfico.

Tudo começou no final de 2012, mas ganhou seu verdadeiro peso durante o ano de 2003, quando acusaram Claudio Spiniak de abuso sexual, facilitação da prostituição infantil e longa etc.

O caso, promovido pela deputada Pía Guzmán (RN), foi baseado nos depoimentos de Gemita Bueno, com o apoio do “padre Jolo”. Essas denúncias envolveram 3 senadores, dois da UDI e um do PPD.

O caso significou terremotos reais, movimentos públicos e clandestinos para conter algo que estava saindo do controle. O resultado foi desacreditar as testemunhas e, finalmente, ter apenas um réu principal e condenado. Claudio Spiniak, que passou uma década na prisão.

Gemita Bueno e o “Cura Jolo” (José Luis Artiagoitía) por falso testemunho e indutor, respectivamente. Pía Guzmán não foi apoiada pelo RN para sua reeleição e vários meios de comunicação tiveram sérias mudanças -incluindo demissões- por terem divulgado os depoimentos de Gemita Bueno e outros envolvidos.

O caso foi encerrado sem “peixe gordo” trancado, além de Spiniak. virou-se para o “normal”, mas muitos tinham dúvidas. Por exemplo, como se explica que se fazem festas caras, com vários filhos, numa grande área, e que só havia um participante condenado. Saiba também o que aconteceu com os vídeos com convidados em festas.

questões complexas

Guzzoni abordou temas complexos em seus filmes. carne de cachorro É a história de um torturador abandonado pelos comandantes e pelas redes de ex-violadores dos Direitos Humanos. Jesuspor sua vez, baseia-se no famoso “Caso Daniel Zamudio”para o qual o diretor e roteirista fez uma longa e minuciosa investigação.

Ambos os filmes focaram em questões que, em nossa sociedade, são delicadas, mantidas ocultas ou, pelo menos, não totalmente investigadas. E o grande número de pessoas que trabalhavam em entidades repressivas da ditadura? Quais foram as profundas motivações por trás do assassinato de Daniel Zamudio? Quem realmente são seus atacantes?

Fernando Guzzoni chega a questionamentos e espaços incômodos, ao que não é óbvio. Levanta questões que nos preocupam, algumas que não podem ser respondidas ou, às vezes, é melhor não responder.

menina branca

Blanquita, com a grande atuação de Laura López Campbell (Blanquita), Alejandro Goic (Sacerdote Manuel), Amparo Noguera e Nicolás Duránnão dá respostas. Vai expondo dúvidas, abrindo questões, expondo vulnerabilidades e injustiças.

Sem ter cenas difíceis, é difícil. Cansado às vezes. Nesses submundos dos marginalizados, dos violentados e do outro polo, o do poder Aquele que pode reagir implacavelmente quando se sente ameaçado.

Blanquita -como bem disse Guzzoni a respeito de Jesus- não faz proselitismo, não é panfletário. Apresenta realidades -ficcionalizadas-, deixando ao espectador a tarefa de formar sua própria opinião, tirando conclusões. Faça suas próprias perguntas.

Roteiro e elenco

Na minha opinião, entre as fragilidades recorrentes do cinema chileno estão os roteiros (base essencial de um filme, segundo Silvio Caiozzi) e o elenco, a escolha dos atores. Neste último, muitas vezes cai em “rostos” da televisão, reduzindo as alternativas.

Blanquita tem muita força no roteiro (premiado no Festival de Veneza), comedido, preciso, sem cair em lugares-comuns ou afirmações populistas. Fazendo deste caso uma espécie de thriller, onde o suspense nunca se dissipa.

Outro destaque é a atuação de seus protagonistas, principalmente Laura López, pela complexidade de seu papel e pelo fato de o filme ser baseado em sua personagem.

Também destaca, entre outros aspectos, a estética, a ambientação. Suas cenas são geralmente escuras, cinzas, na luz do amanhecer ou em dias nublados. Ou, ao contrário, os espaços dos Tribunais de Justiça ou outros institucionais, de arquitetura neoclássica ou Art Nouveau, que falam de uma sociedade e de poderes conservadores, regidos por formas.

Um filme para ver e conversar

Blanquita é um filme para ver e falar, para discutir. Questionar-se, idealmente com os outros, para analisar a nossa sociedade e a sua justiça, ou injustiça.

O filme de Fernando Guzzoni se debruça sobre uma área escura e dolorosa, e o faz mostrando uma série de personagens – muito bem interpretados – com suas luzes e sombras, com suas forças e fraquezas. um filme que mostra de forma grandiosa partes obscuras da nossa sociedade, da nossa cultura.

Blanquita estreia nos cinemas em 27 de abril

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The Way filmes

Ficha técnica da Blanquita

Direção: Fernando Guzzoni
Roteiro: Fernando Guzzoni
Elenco: Laura López Campbell, Alejandro Goic, Amparo Noguera, Nicolás Durán, Daniela Ramírez, Marcelo Alonso e Jaime Vadell

Ano de produção: 2022
Companhia produtora: Quijote Films, Vários Lobos, Tatântula, Bonne Pioche, Madants
Países: Chile, México, Luxemburgo, França, Polônia
Produção: Giancarlo Nasi
Coprodutores: Pablo Zimbrón Alva, Donato Rotunno, Pascal Guerrin, Yves Darondeau, Emmanuel Priou, Beata Rzeźniczek
Distribuidora: El Camino Films

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