Crônica da queda de Domènec

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Dia de estreia quente é assim, as notícias se acumulam.

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Na coluna anterior disse que não era favorável à demissão de Domènec no meio da competição e que ele precisava mesclar seus conceitos com as características do time.

Mas a junção de fatos internos e os erros evidentes do treinador nas escalações fizeram a diretoria entender que não era bom seguir na aposta, que se mostrou errada.

Após a derrota para o Atlético-MG, um torcedor picha no muro da Gávea: Fora Dome- Reprodução/Twitter

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A saída de Jesus fez os diretores do Flamengo correrem atrás de um técnico de fora. Eles nem olharam para o mercado interno, já que Renato Gaúcho parecia ser o nome que receberia o menor número de críticas. Se falou nos portugueses Jardim e Villas-Boas. Com as recusas, apareceu o nome de Domènec, que tinha sido auxiliar de Guardiola por dez anos. Nas minhas colunas de vídeo, eu disse que, entre as apostas e os tiros para todos os lados, Domènec poderia dar certo. Era um bom estrategista ofensivo e pegaria um time azeitado – apenas o campeão brasileiro, sul-americano e vice mundial.

Domènec chegou e cometeu o primeiro de seus erros. Queria ver o time atuando de forma diferente, tocando a bola, não sendo incisivo na marcação na saída de bola. Portanto, mudança radical. A derrota para o Atlético-MG na estreia do Brasileiro pode ser relevada, mas o que Dome fez na partida seguinte, a derrota por 3 a 0 para o Atlético-GO, foi indefensável. Afinal, mudou o esquema e jogou Rodrigo Caio para a lateral. Uma tristeza. Ali o torcedor já colocou a pulga atrás da orelha.

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E várias outras pulgas foram aparecendo. Era Gabigol saindo revoltado num jogo. Ou Filipe Luís dizendo que o time precisava de tempo para assimilar as ideias do treinador. Ou, ainda, o time arrancando empates e vitórias contra times muito mais fracos no finzinho – sempre por causa de individualidade e não por jogadas coletivas.

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As escalações eram… curiosas. Gerson jogou em vários setores. Em 26 jogos, Dome usou pelo menos oito formações diferentes. Está certo que Rodrigo Caio, machucado, compromete o setor e nenhum dos outros cinco zagueiros está no nível da fera da Seleção (ou de Marí, hoje no Arsenal). Mas não adianta ficar revezando dupla defensiva. Isso só aumentou a insegurança.

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Assim, o time alternava bons resultados com tropeços e, por isso, Dome nunca ganhou a confiança da torcida. A goleada sofrida para o Del Valle na Libertadores (5 a 0) foi o primeiro momento de boatos fortes sobre a sua demissão, mas aí o time engrenou uma sequência de vitórias a ponto de classificar-se por antecipação às oitavas da Libertadores e ter chance de assumir a liderança do Brasileirâo. Jogando bem? Sim, mas quase sempre em dois momentos: o início do segundo tempo ou na reta final, quando o rival se fechava para segurar o resultado e se dava mal.

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Por três vezes o Flamengo poderia ter assumido a ponta da Série A. Mas foi tropeçando e nunca assumiu o 1º lugar: empate com Bragantino, empate com Inter e a goleada sofrida em casa para o São Paulo. A torcida perdeu a paciência. Não dava para entender como o Flamengo, com o elenco que tem, não conseguia transmitir confiança e era tão irregular. Metia 5 a 1 no Corinthians e vencia o lanterna Goiás com gol no último ataque, tropeçava no Bragantino….

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A classificação para as quartas da Copa do Brasil poderia ter atenuado a ira da torcida, mas os questionamentos sobre a fraqueza defensiva persistiram. Até mesmo o goleiro Hugo, uma das sensações do futebol brasileiro, estava vacilante. E então veio o jogo com o Atlético-MG. Dome divulgou a escalação e lá estava o jogador mais questionado, Gustavo Henrique, que tinha ido mal no 1-4 com o São Paulo. Inseguro, o zagueiro falhou diretamente em três gols no 4 a 0.

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Aqui abro um adendo para citar a maior dificuldade de Dome: ele não tem boa leitura de jogo. Demora para entender o que o adversário está preparando em campo e não rearruma o time durante a partida.

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Aí vieram as últimas horas, com os boatos e especulações que se tornaram realidade. Dome fora. A diretoria prefere arriscar um trabalho do zero. Ou, se o próximo treinador for esperto, dar uma guinada de 180º, que na prática seria recolocar o transatlântico do Flamengo no mesmo rumo da Era Jesus. E deixar que os jogadores se entendam em campo e voltem a jogar a bola perdida na breve Era Dome.

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