Flamengo dá pinta de virar a versão ‘Palmeiras de Luxa’ no returno da Série AJogada 10

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Olá turma do Jogada 10.  Estou muito feliz em estrear em casa nova. Mas, como sou vapt-vupt, vamos a um papo de futebol. Nesta primeira coluna,  Domènec Torrent é o tema.

Domenec Torrent – Alexandre Vidal/Flamengo

Há problemas no Flamengo. Claro. E o principal é no comando técnico.  Afinal, Dome não pode dizer que não conhece o elenco. Tem mais de 20 jogos nas costas. Além disso, não pode, como a maioria massacrante de outros treinadores, alegar que não possui reposição quando um titular está machucado. Prova disso é que Pedro, visto como reserva, assumiu a vaga de um Gabigol machucado e acaba de ser convocado para a Seleção.

Um fato evidente é que o espanhol demora para fotografar o jogo. Com isso,  o time leva muito tempo para “descobrir” a tática do rival. Tanto que costuma vencer os seus jogos no segundo tempo muito por causa de um desses pontos: a- o adversário cansou e recuou; b – o adversário fez substituições e o seu nível caiu. É só elencar o tanto de partidas em que o Flamengo evitou o tropeço (derrota ou empate) quase no apito final.

Outro é que ele faz algumas apostas que se mostram muito erradas. O exemplo recente é a escalação de Gustavo Henrique contra o Atlético-MG. O zagueiro não está em bom momento. Falha muito e isso o deixa inseguro. É o mais lento entre os defensores. No jogo de Minas deveria cobrir o lado do campo que conta com dois dos jogadores mais eficazes do Galo. Não deu outra. Embora o Flamengo tenha levado quatro gols em falhas coletivas, o maior cochilo no primeiro e no terceiro tentos foi dele. No quarto, divide com Nathan.

Discurso

A cada fracasso Domènec é questionado. E seu discurso assusta. Na coletiva pós-jogo com o Atlético, ele disse que não gostou do comportamento da defesa contra o São Paulo e que tinha trabalhado fortemente a defesa por dois dias. E o que se viu foi um desastre. Depois comentou que está confiante no seu trabalho porque o ataque funciona e que a defesa vai funcionar. Quando? Por fim, apostou numa análise que pode ser um tiro no pé. Ilustro abaixo a sua declaração:

” Se o Flamengo estivesse oito pontos atrás do líder do Brasileiro ou se levasse 4 a 0 num jogo de mata-mata seria bem diferente. Mas estamos a um ponto do primeiro colocado, lideramos a Libertadores e estamos vivos na Copa do Brasil”.

Bem, essa situação de estar a um ponto do líder é questionável. Caso o São Paulo vença os seus jogos em atraso, a diferença para o líder vai a sete pontos. O São Paulo fez 4 a 1 no Flamengo há dias e, se no jogo de quarta-feira repetir a a dose, será num mata-mata. Na Libertadores, o jogo de ida pelas oitavas contra o Racing é fora de casa. Logo, esse argumento acima pode se tornar uma tempestade perfeita para elevar as desculpas de Dome para a estratosfera.

E então…

Não sou a favor da demissão do treinador. Mas espero que ele mude várias coisas em  seus conceitos. Quando foi contratado, a diretoria disse que o Flamengo era um transatlântico e que as mudanças táticas seriam suaves.

Porém, Dome resolveu dar um “cavalo de pau” e desfigurou muita coisa. O Flamengo da reta final de Jorge Jesus não era o time vice-campeão do mundo de 2019, mas seguia com a sua cara vencedora.  Entretanto, o Flamengo de Dome, para alegria dos concorrentes, é uma equipe sem confiança, dona da segunda pior defesa do Brasileirão e que está começando a entrar em qualquer jogo sem o ar de favorito.

Eu disse, certa vez, sobre o Palmeiras de Luxemburgo, que o Verdão tinha jogadores, mas não era um time. O Palmeiras acabou se acertando com Andrey Cebolinha e parece que Abel Ferreira não vai dar “cavalo de pau” no que pode dar certo. Já o  Flamengo vem correndo sério risco de ser a versão Palmeiras de Luxa nesta reta final de 2020.

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