Plágio? Professor quase barra formatura por suspeitar do ChatGPT

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Alunos da Texas A&M University-Commerce estavam em festa e ansiosos para se formarem nesta semana. Mas para quem teve aula de ciência animal com o professor Jared Mumm, um e-mail interrompeu a diversão. Mensagem dizia que alunos corriam risco de reprovar na matéria por usar ChatGPT para trapacear.

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Mumm, professor da faculdade agrícola da universidade, disse que copiou redações dos alunos, colou no ChatGPT e pediu à plataforma para detectar se chatbot com IA (inteligência artificial) havia escrito os textos. Alunos acusados de trapacear tiveram suas notas zeradas. E-mail causou pânico na classe, com alguns alunos temendo que seus diplomas estivessem em risco.

O que rolou

Pessoa pedindo para ChatGPT criar texto acadêmico em celular com logomarca do ChatGPT ao fundo
(Imagem: Bloomberg)

Uma veterana, que conseguiu se formar, disse ao jornal The Washington Post que reuniu evidências para provar sua inocência – ela escreveu seus textos no Google Docs, que mantém registro de data e hora – e os apresentou a Mumm numa reunião.

Passamos por muita coisa para obter esses diplomas. O pensamento de meu trabalho árduo não ser reconhecido e meu caráter sendo questionado… isso realmente me frustrou.

Veterana da universidade, em entrevista (sob condição de anonimato) ao The Washington Post

Michael Johnson, porta-voz da universidade, informou, num comunicado, que nenhum aluno foi reprovado na matéria de Mumm ou foi impedido de se formar. Ele acrescentou que “vários alunos foram exonerados e suas notas foram emitidas, enquanto um aluno admitiu ter usado o ChatGPT no curso”.

Johnson acrescentou que funcionários da universidade estão “desenvolvendo políticas para lidar com o uso ou mau uso da tecnologia de IA na sala de aula”. Até a publicação desta reportagem, Mumm não tinha retornado pedido de comentário sobre o caso ao jornal.

IA, ChatGPT e educação

Par de mãos robóticas sobre teclado
(Imagem: Reprodução/Harvard Gazette)

A ascensão da inteligência artificial generativa – tecnologia do ChatGPT e demais chatbots que cria palavras, textos e imagens – tem afetado contexto da educação. Esses chatbots podem criar ensaios, poemas, códigos de computador e músicas capazes de enganar terem sido feitos por pessoas. Isso dificulta determinar quem está por trás de qualquer conteúdo.

Embora o ChatGPT não possa ser usado para detectar escrita gerada por IA, uma onda de empresas de tecnologia tem vendido software que afirmam poder analisar redações para detectar esse tipo de texto. Mas a detecção é muito difícil, de acordo com especialistas em tecnologia educacional. Isso leva educadores a um dilema: adaptar-se à tecnologia ou fazer tentativas (inúteis) de limitar formas como ela é usada.

As respostas a isso variam. Por exemplo, o Departamento de Educação da cidade de Nova York proibiu o ChatGPT em suas escolas, assim como a University of Sciences Po, em Paris, citando preocupações de que ele pode promover plágio desenfreado e prejudicar aprendizado.

Outros professores incentivam abertamente o uso de chatbots, comparando-os a ferramentas educacionais (por exemplo, calculadoras) e argumentam que educadores devem adaptar currículos ao software.

Com informações de The Washington Post

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