Um pouco de Química: Galo tocando bola é assombrosoJogada 10

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O Atlético classificado para as semifinais do Campeonato Mineiro não será quase nunca uma novidade, mas muito além da vitória de 3 a 0 sobre a Caldense ficam as evidências.

Desde de 2020, o Galo é um quebra-cabeça evolutivo da sua identidade de jogo. Tudo isso passa pela chegada de Sampaoli e de 19 atletas contratados naquele ano, a grande espinha dorsal do grande campeão de 2021.

Na química, John Dalton ao estudar os modelos atômicos foi um dos pioneiros ao falar do átomo como unidade básica da matéria. Seus princípios diziam entretanto, que a matéria era indivisível. Através dele modelos evoluíram e provaram que algumas premissas como a indivisibilidade da matéria não procedia. Depois dele, Thomson descobriu os elétrons com o modelo do “pudim de passas”, Rutherford mais à frente confirmou a existência de carga positiva na camada central da matéria, Bohr aperfeiçoou a ideia da eletrosfera de Rutherford e introduziu o conceito de movimentação dos elétrons em camadas (níveis) ao redor do núcleo e, por fim, veio o modelo atômico quântico que completou o modelo atômico com a composição do núcleo formado entre prótons e nêutrons.

Mas possa se perguntar: está falando de quê?

Estamos falando que Dalton na Química, mesmo iniciando um processo que teve falhas e foi evoluindo até a data presente não deixou de ser considerado um dos principais nomes da ciência mundial. Se o átomo não é indivisível nada começaria sem Dalton.

Assim é o Atlético, uma evolução da identidade de seu jogo. Desde as falhas e acertos de Sampaoli, o Galo aprimora sua construção de jogo. Claro, obviamente, que para isso ocorra é necessário material humano que entenda e possa executar as ideias.

No sábado passado, contra a Caldense, segundo o Wyscout o Atlético tocou 670 passes com 91% de eficiência. Mas isso passou por uma briga de Sampaoli para ter um goleiro que jogasse bem com os pés (Everson) começando a construção ofensiva desde a pequena área, como um goleiro-linha e que foi amplamente contestada inicialmente.

No processo de desenvolvimento, Cuca aproveitou o toque de bola, mas priorizou proteger a defesa do Atlético, fazendo um time que sempre tomou muitos gols sofrer 34 em 38 no Brasileirão, ou seja, menos de um tento por jogo. Absurdamente o Galo passou 16 partidas sem sofrer gols, quase metade dos jogos do certame. Cuca, ao contrário de Sampaoli não era tão inflexível, alternava o time taticamente. No jogo contra o River Plate, um dos mais emblemáticos na Libertadores de 2021, o time de Stival sabia que Gallardo naquela época teria mais preparo para ter mais posse e permitiu isso. Contudo, o Galo deu campo ao time argentino e jogou com passes esticados, mas por dentro. Resultado 3×0. Depois disso, Cuca continuou variando sempre, exatamente o que não fazia Sampaoli, por isso, com cardápio e variações, mas aproveitando bons méritos do argentino, venceu três campeonatos de quatro disputados. Havia jogos pra passes, posses e havia jogos para dar campo ao adversário. O modelo de jogo de Cuca tinha convicções exatamente por ser desprovido de radicalismos.

Turco

Mohamed chegou com humildade, sabedoria e testando no momento que podia e mantendo o que está certo. Sem fazer cena ou “VT”, suavemente Tony alterna concepções de Cuca e a cada jogo faz o Galo tocar mais e melhor. No modelo “camaleônico” do argentino, há muitas variações táticas, há triângulos entre linhas adversárias, em espaços curtos, mas há também momentos de alternância de atração do adversário através de passes longos, com corredores laterais. Quem concebeu um estilo rotulado sobre o jogo de Tony Mohamed no Galo pode se desconstruir várias vezes ao longo da temporada. A identidade está na versatilidade, no acréscimo do novo, mas na certeza de manter o que funciona.

Não há modelo atômico perfeito, assim como não houve com Dalton, não há com Guardiola. No caso do Atlético, o clube deu um passo grande para a evolução da identidade moderna do seu jogo. Tony e o Galo não ganharão todas as competições, mas trocar 670 passes no último fim semana, ainda em início de temporada com times que não se repetem é mérito total de uma memória dos automatismos por ele continuados a partir de Sampaoli e Cuca.

Tony tem muita inteligência ao não negligenciar a construção feita por Sampa e Cuca. Se existe o smartphone, existiu o “tijolão” fundamental. Se existe o modelo atômico atual, existiu Dalton que tudo começou.

O Galo está em evolução plena da identidade de jogo de futebol moderno do século 21, o jogo do espaço, ou da falta dele.

O Atlético não vai ganhar todos os jogos nem todos os campeonatos. Mas este Atlético com convicção de planos e projetos terá uma década inesquecível com muitas taças.

Por Dalton e Sampaoli – O Galo tocando bola é assombroso.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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